julho 20, 2010

"Yeah, it's like... hazy days, you know?" cassie

São tantos remédios que eu já nem sei se fazem efeito. Sentindo nada, sentindo a angústia, a dor, o medo, o vazio que dura e dura e não acaba nunca, faz com que pergunte por quanto tempo mais vai restar, por quanto tempo mais consegue durar tudo isso. Por quanto tempo mais eu consigo durar a tudo isso. Parece agravar a reflexão que aparece no espelho, e se olhar para ele diz quem sou eu, explica-se por que então aparecem reflexos em vazio, espaços em branco que não conseguiram ser preenchidos. Apertando então para que nada não volte a não existir, como faziam antes, voltando de trás para frente em memórias cheias de momentos vazios. A dor não sentida passando a ser desejada para que pudesse sentir-se normal novamente, para que pudesse quebrar a barreira entre o não-existente e o existente. O que fazer, então, se não puxar, apertar, queimar, cortar as ataduras que prendem ao não-real? Ao engolir os remédios, matando as ansiedades, as angústias, tentando controlar os medos do que (não)existe. Engolindo remédios (des)necessários para poder conseguir sobreviver mais uma manhã ou quem sabe, mais uma noite sem nexo, sem vida, como compreender o nunca antes visitado, como entender o que me é explicado se não consigo nem compreender o que está acontecendo? Como então...


Chopin Nocturne Op.9 No.2

"(...) não iriam entender que vezenquando a gente fica triste sem motivo, ou pior ainda, sem saber sequer se está mesmo triste." - caio

julho 07, 2010

para escutar ao som de: wish you were here - pink floyd.

-> antes um comentário breve, juro. estava quase dormindo quando veio esse texto em minha cabeça, saiu assim fluindo nos pensamentos de um jeito que me agradou muito. claro que não foi terminado, já que as palavras secam eventualmente. mas eu tentei terminar da (pior) melhor maneira possível. esse foi o resultado.



Olhou a ponta do cigarro acesa, presa entre os dedos. A fumaça subindo devagar, tentando acompanha-la com os olhos, deu-se então com o rosto dele. Estava esquivo. Procurava contato entre os olhos, mas não encontrava. Tragou e logo depois soltou a fumaça levemente pelo nariz. Estava coberta de um sentimento que não sabia identificar qual era. Seria amor ou ódio embutido pela face? Queria dizer, qualquer coisa que quebrasse o silêncio. As palavras escalando a garganta e escorregando pela ponta da língua até que se tornasse viva.

- De todas as pessoas, você foi a que mais me decepcionou. – Algumas palavras jogadas no quarto e estava pronto. O fim. As lágrimas escorrendo pelo rosto, cobrindo os poros e se arrastando até chegar ao fim da face. Encarou-o de forma definitiva, talvez a fim de provocar um confronto ou quem sabe procurar uma resposta, mas nada. Continuava esquivo, quieto. Fazendo do silêncio a melhor resposta que pudesse ter em mente. Não havia mais nada então. Eis que, agora, tudo estava morto, se é que algum dia foi-se vivo. Tudo estava perdido. Não compreendia e talvez não quisesse compreender como chegaram a tal ponto. Depois das primeiras palavras ditas não conseguia mais conter as memórias caindo pelo chão, como lixo, como coisa suja. Foi então que vieram novamente, sem conseguir conter-se deixou que as palavras escorregassem mais uma vez.

- Você tomou tudo de mim. Tudo. E agora eu estou vazia. Você não se conteve e no fim eu acabei quebrada. Sai despedaçada disso tudo. Eu não tenho mais nada. - Sentiu o salgado das lágrimas corroendo sua boca aos poucos, tragou o cigarro mais uma vez na esperança de fazer sumir o que tivera acontecido nesses últimos dias. Ele então se levantou de sua cadeira pegou seu casaco acendeu um cigarro, como se fosse mais um dia normal e saiu pela porta sem olhar para trás. Foi o fim. Havia chego e eu não tinha percebido. Ele saiu de repente sem nada a dizer. A falta das palavras foi o que mais me doeu naquele momento. Ficaria pensando nisso por horas a fim. Deitei-me na cama e adormeci chorando. Só assim então para conseguir tirar todas as lembranças ruins de dentro e tentar guardar o que havia ficado de bom. Acordei com cheiro de coisa morta, mal percebi que era eu que exalava esse cheiro. Acendi um cigarro para poder disfarçar o que não conseguia mais, disfarçar de mim mesma que estava morta por dentro. Levantei da cama com o cigarro preso na boca, engolindo cada tragada como se fosse à última, sentindo cada parte da fumaça entranhar-se por cada pedaço morto do corpo. Sentei-me na poltrona de sala olhando mais uma vez a fumaça bater contra o sol criando formas que não conseguia decifrar o que era, mas que a mim pareciam tão bonitas tão bonitas tão bonitas essas que me doíam como todas as outras coisas. Queria tanto falar, queria tanto gritar, mas não o faria, porque se não o fizesse era como se não existisse realmente. Jogar com a mente, tentando enganá-la para que os cheiros os sóis os abraços não fossem invenções para tentar suportar aquilo que não tinha mais. Só não sabia o que não tinha. Não podia perder no próprio jogo, pois perder significaria admitir a derrota e não estava preparada para isso. O silêncio tomou conta de mim por certo tempo, sentada, segurando um cigarro na mão e o vazio na outra esperando voltar o que aquilo que havia escapado. Então me deixei prender nos sóis nos cheiros nos abraços e nas memórias, tentando segurá-las pelos dedos escorregadios escapando pelos vãos sem nem ao menos conseguir segurá-los. Iam sendo perdidos sem nem ao menos conseguir prendê-los. Tentar prender aquilo que não conseguia mais. Ficaria por horas-e-horas encarando a porta, acendendo cigarros e mais cigarros a espera que você voltasse, entrando pela porta e dizendo que foi tudo um erro. Mas não iria, não faria. Errei. Erramos coração. Agora eu fico aqui com os cheiros os sóis os abraços as memórias escorrendo pelos dedos, deixando morrer tudo, esgotando, correndo, matando por fim. Não compreendo como chegar ao ponto de matar e se deixar morrer.

Os vãos dos espaços escorrendo, saindo de mim, por cada poro. Tentaria lutar, para poder manter pelo menos uma memória um sol um abraço um cheiro. Tentaria lutar pelas coisas não perdidas nem gastas com o tempo. Conosco. Tudo feito para não ter mais sentido no final. Não compreendi e não compreenderia que a perda dos sóis dos abraços das memórias dos cheiros era pedido pelo organismo, porque sofrer cada vez mais por essas já não fazia mais sentido, não cabia mais nos espaços novos se formando, necessitando respirar ar novo. Mas não queria. Não queria perder nada daquilo. Queria segurá-los até o último suspiro. Contrariando as ordens do organismo guardava mais e mais do que podia. Quem sabe, talvez, fosse mais forte do que eu-sentimentalóide-humano-fraco-eu. Acendeu mais um cigarro, um dos últimos, olhava para o cinzeiro transbordando e observava o anoitecer chegando, tragou devagar, queria saborear o penúltimo cigarro, sentiu a fumaça entrando em seus órgãos, tomando conta de seu corpo para que logo depois saísse pelos poros. Junto com os cheiros os sóis os abraços as memórias, sentido morrer aos poucos. Continuo ali e continuaria até que pudesse tornar realidade. Esperando que os cheiros os sóis os abraços voltassem rastejando para dentro. Esperando. Esperaria até o fim.



"Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida." c.f.a.


maio 19, 2010

Whiskey please, I need some whiskey please

Eu ando me machucando muito com esses pensamentos sobre o que foi e não será mais. Céus, sempre que penso em você brotam espaços em minha imaginação. Eu queria que tivesse dado certo, que nós estivéssemos juntos agora, mas... Fico pensando que não te confio mais e como ficar, gostar de alguém se confiança não existe? Não seria confiança o primeiro passo para o amor? Se é que amor exista. O fato é que te confinei tantos segredos, contei-te tantas histórias e elas agora parecem não me pertencer mais. Minha vida inteira passou dos meus para os teus olhos e todas as minhas memórias, agora desgarradas de mim, são de tua responsabilidade. Parece fácil, sendo elas memórias já meio esquecidas, mas devo advertir-te dizendo: boa sorte em tentar domá-las dentro de tua cabeça, só eu sei como o avulso delas me bagunçava os pensamentos, as palavras, as ações... Só eu sei como elas me bagunçam. E agora que você não vai mais estar aqui peço, não, imploro que as leve para longe de mim. Nunca mais quero rever esse filme dentro da minha cabeça, nunca mais quero sentir a dor delas perfurando todos os meus órgãos implorando por exteriorização. Só quero não senti-las mais, não quero mais matar todas as partes de mim para sufocar essa dor... Só quero sorrir novamente.


queen of the world - ida maria

março 05, 2010

eu não deveria fazer isso, mas confesso que de todas as conversas que já tive, de todas as discussões, as tragadas, as bebidas, os abraços e beijos, confesso que de todos os seus nunca vou esquecer. então leio as palavras que trocamos porque assim eu me sinto mais perto de ti, já que por tempos ruins que nos cercam agora a presença de uma na vida da outra vem sendo não existente. espero que aprecie os textos que eu colocar aqui. realmente espero. pois sempre que me encontro triste os leio e eles me ajudam como você sempre me ajudou e sei que sempre vai me ajudar. não é preciso dizer nomes. você sabe quem é, se chegar a ler isso.

para ouvir ao som de oasis - wonderwall



ela

‘E a saudade bateu em minha porta, como quem cobra conta, como quem quer acabar com economias e poupanças, mas eu jurei que seus beijos e abraços mandados ao vento receberei, terei de abrir minha janela diante de sol, luar e estrelas, estrelas belas estrelas, mas o luar, oh indigno, me atormentara como um cobrador noturno, o luar que carrega o brilhos de seus olhos, não posso ser atormentada pelo luar, minha janela então hei de fechar, sobrara para o sol, astro horrendo, dele tenho que escapar, ladrão de energias me acerta com tiros de esperança, catástrofe! Serei presa assim, julgada condenada e presa, mas se assim receber seus beijos e abraços, tratarei de arrumar minha tralhas, pois para prisão estou partindo.’


eu

não parta, não sem antes recebê-los

e receba-os bem, pois a viajem foi longa..

ela

entao receberei, e hei de abrir as janelas, enfrentando sol ou lua, bajulando estrelas, pois as saudades , essa sim, e a verdadeira punidora

eu

punição? Não mereces punição nenhuma, espero que não morra de saudades, saudade é sentimento bom, mas aperta e nos deixa fraco, vou tentar mandá-las mais rápido, não te quero ver sofrer, pois faça sol, faça frio, faça chuva elas sempre vão em sua direção, é o melhor caminho que conhecem.

ela

nao me veras sofrer, ao receber palavras tao belas, faça sol faça frio faça chuva, irei espera-las com um sorriso, sorriso de esperança, sorriso de criança, pois o azul lua, me lembra seus olhos, as lagrimas de chuva, seus traços, o sol se transforma belo ao me lembrar de seus sorrisos, ao receber o que me foi enviado, mandarei com igualdade, ou ate terei a ousadia de duplicar.

eu

Duplique-os então, me verás mais feliz que nunca quando souber que recebi de todo teu coração, o mais belo sinal de amizade, ou até mesmo de amor, duplique-os, pois assim saberás que eu serei sempre feliz ao saber que se importa comigo, que não me esqueceu, e se os céus te fazem lembrar-se de mim, os olhe sempre e assim saberás que eu sempre estarei com ti, pois ti para mim é sonho, é flor, é manha, é sentimento de liberdade e de vontade...

ela

Duplicarei, e te farei feliz, te ver sorrir e sonho realizado para mim, logo para mim que nunca acreditei em realidades acompanhadas de sonhos, te esquecer ja nao e mais algo possivel de se fazer, e nunca foi, minhas crenças gritam esbravejamquando ouso contraria-las, pensando que foi a quase 3 meses que te conheci, parece que minha alegria sempre foi ti, olharei para os ceus sempre que for possivel, e se nao for, destruirei qualquer barreira que tenha coragem de impedir, nem que isso custe minha vida, pois por ti, sou tao capaz que nao existe fim, nao existe fundo, tu es minha importancia, tu es meu sorriso, ,tues meu olhar, tu es aquilo que salva e me mergulha na euforia, tu es meu muro de maravilhas. Espero que saibas que tudo que sou pra ti, és pra mim, sempre que uma coisa vai volta, e você volta com uma intensidade magnífica, e me explode de felicidade, já não consigo mais viver sem tua presença, e minha crença também não me deixa largar de ti, é como água é para um humano qualquer, você é minha água, meu sol, meu ar, uma das poucas coisas que me deixam aqui, e espero que seja sempre assim, que seja infinito enquanto dure, não é mesmo? E se tiver algo que impeça de ser feliz eu destruirei essa barreira com ti pois ela é barreira sua e minha, seu peso é o meu e não o compartilho com mais ninguém a não ser você. Mas agora eu me vou, vou com dor no coração de te deixar pra trás, mas espero por ti outros dias, e dias mais alegres virão, confie em mim, e eu te mostrarei o caminho..



E como todas as outras vezes nos despedimos sem dizer nada, mas dizendo tudo.

ps: só para constar: conversa de msn.

para ler ao som de : time – pink floyd (se quiser cortar, a música mesmo começa depois de 2m e 30s. mas seria melhor pegar desde o começo. acredito. e aliás, escolhi essa música pois a escutava enquanto escrevia. só ela.)

E se ultimamente tivesse perdido o chão? Sabe? Como se flutuasse no céu em busca de nuvens para descansar. Mas não achava, não havia nenhuma nuvem. O céu estava limpo e eu continuava sem chão. E os dias, os meses, os anos passavam e eu não conseguia pará-los, não conseguia controlá-los, como um filme ruim rodando e rodando e rodando várias vezes em minha cabeça, sem conseguir tirá-lo. Sem nem ao menos conseguir verbalizar esse filme para ninguém, como se eu tivesse desaprendido a linguagem dos outros, como se eu tivesse desaprendido tudo. E não entendia o “por que?” não conseguir tirar tudo aquilo dos sonhos e pensamentos. Atormentando cada vez mais e mais. Sugando todas as energias do corpo, tudo que eu tinha e não tinha, tudo de interno e externo. Esse atormento vinha sugando toda a minha vida, vinha sugando minha energia e sugando meus pensamentos. Vinha me sugando. E esse vazio desesperador que ficava moendo e roendo minhas estranhas, esperando para serem jogadas para fora para enfim alimentar os outros para alimentar o que eles não tinham, dando para eles o meu interior sem pedir nada, sem receber nada de volta, como se depois de tanto usadas elas se tornassem desnecessárias, como se não valessem mais nada. A falta de ar, como se já estivesse fazendo efeito o desfeito das estranhas. A falta de sono a falta de fome a falta da falta. E vai surgindo e surgindo e surgindo e surgindo e surgdinso e sugirnso e sugnindo e sunfgodo e surginfo e surgindo e surgindo e não para e não para e não para e naão poara e não spaopa e não para. E nunca para. E nunca vai parar. A angústia, o medo. O medo. Não queria ter medo. Não queria mais ter angústia. Só queria ser feliz, só queria ser. Só queria mudar tudo e parar tudo e virar outra coisa, qualquer coisa que fosse, menos isso que sou agora. Mas não consigo, não consigo me mudar. Mas não para de surgir e surgir e sguir e sguirgi e surgir e sugir surgsir sye sugrir e surgir e não para e nunca vai parar. E vai me corroendo e mordendo e comendo por dentro, como um cachorro quando come um osso e vai me sugando como se fosse um vampiro procurando por sangue e nunca acha e nunca consegue e continua. O desespero. O medo. A agonia. Por que eu sinto como se tudo estivesse desmoronando? E fumo e bebo e penso e repenso em tudo, no que deu errado, por que deu errado? Não deveria ter dado errado, não era assim que era para ter acontecido. Mas na verdade, não importa nada disso. São tudo banalidades. Talvez eu não esteja mais em mim, não sei nem ao menos se algum dia estive. E se estive penso se conseguirei voltar ao que era antes. Mas o antes... O antes não passa de memórias e nós nunca podemos voltar. Desaprendi a me ver como antes e só tenho o agora. Eu não tenho mais nada. Só esse agora que desgosto. O agora que me mata e me suga e me atormenta. O agora do nada... O agora não me basta mais. E não sei o que me basta, não sei aonde procurar ou ao menos pelo que procurar. Eu não sei de mais nada. Eu só estou acabada.


"Alguma coisa explodiu. Partida em cacos. A partir de então, tudo ficou mais complicado. E mais real." c.f.a.

ps: definitivamente não é o meu melhor. mas sentia que estava na hora de publicar algo. acabei de fazer essa porcaria, então... bem. é isso.

fevereiro 24, 2010

Them Crooked Vultures - New Fang

“Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina (...). Restava acender outro cigarro, e foi o que fez. No momento de dar a primeira tragada, apoiou a face nas mãos e sem querer, esticou a pele do olho direito. Melhor assim, muito melhor. Sem aquele ar desabado de cansaço indisfarçável de mulher sozinha (...)" Os Sapatinhos Vermelhos - C.F.A.


E ficava horas-à-fio parada em frente ao espelho tentando entender o próprio envelhecimento prematuro. Tudo jogado para fora, como se fosse mera ilusão do tempo. Mera insegurança da vida que destrói por dentro, sem deixar rastros vestígios pistas, fazendo de si, de nós todos marionetes. Do tempo, do espaço, do mundo. Todos perdidos no mundo sem saber para onde ir. E ia acumulando, toda aquela merda, toda aquela merda boiando ao nosso lado, ia acumulando. E bem como tudo isso que estava acontecendo tudo isso que se estava sentindo e ia se misturando com o gosto do álcool cigarro e ia dando uma náusea. Uma vontade de vomitar tudo para fora só para depois sentir o alívio. A bebida, o cheiro, o gosto. O gosto do cigarro, o cheiro. Tudo vem tudo aparece. E eu fico aqui, eu fico olhando as pessoas, estudando seus rumos, as palavras, os atos, tentando entender tudo. Mas tudo machuca. Tudo isso cara. Tudo isso machuca fundo fundo e já não se cura mais. Fica aqui a ferida aberta esperando para a próxima, a próxima vez que fará tudo desandar de vez. Que fará o rumo cada vez mais nublado, cada vez mais difícil de andar, difícil de suportar. Só queria esquecer tudo, só queria fechar a ferida, mas não vou, nunca vai acontecer, nunca vou esquecer. E tudo fica voltando, a ânsia o vômito para logo depois o alívio. Mas não passa. Essa vontade. Essa vontade de querer alguém, alguém que cuide que se importe. Mas era o querer de outro que incomodava por dentro. E não queria, não queria precisar de ninguém, não queria querer ninguém. Parecia inevitável o desejo do outro. Ia subindo junto com a náusea, junto com o vomito. Ia explorando todas as cavidades do corpo, os orifícios, os órgãos, os sentidos. Ia inundando tudo com a sujeira, com o nojo, com o vômito. Implorando por exteriorização. Mas não saía. Continuava tudo aqui dentro, perturbando, amassando, machucando, ferindo tudo. Tudo ia machucando e eu já nem sabia mais para onde ir, eu já nem sabia mais o que fazer. Toda aquela raiva, todo aquele ódio subindo com a ânsia, com o vômito, com o nojo. Tudo aquilo. Tudo aquilo. E nada.

Tenho os all stars pretos nos pés; sujos, rotos, mas tão meus que em tantas caminhadas da vida me acompanharam; e corro sem correr, mais alta que o chão, de braços esticados em direção à lua que do seu quarto minguante me sorri timidamente, e me espera, para danças de embalar e gargalhadas de peças de teatro dos Clássicos.

tempo mágico, este, em que as minhas asas de todas as flores - e as papoulas!, São tão as mais bonitas - ganham brilho e se soltam, e eu me perco por entre espelhos de mil cores diferentes que me refletem o que não sou e o que não tenho.

estilhaço o vidro com a pedra do meu coração. É que ele devolve-me a tua imagem que de tão presente em mim me parece tão distante, e eu não te quero ver mais. Quero apenas sentir teu sorriso, ser teus cabelos, amar a boca tua. Tudo de olhos fechados, porque tenho uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, e as horas estão a esgotar-se voam tal como eu, que vôo sem voar, sem destino de partida e sem porto de chegada.

amanhã vai tudo voltar ao normal. Eu volto a ser triste de cabelos de chocolate e bandeletes, tu voltas a ser feliz de rosto altivo e limão. Por isso, só por hoje, sonho, e danço, e rio, ao som das tuas palavras, aquelas palavras, palavras de arco-íris infinito, e sinto, apenas sentindo, que amar-te é sofrer; mas que amar-te é um vir a viver.

(triste ilusão a minha, que amanhã as nuvens dos teus olhos voltam a brincar comigo. vai ser sempre assim, não vai?)



ps: texto muito antigo... de 2008 ou de 2007...

fevereiro 18, 2010

Todo mundo vai embora...

Todo mundo vai embora e eu continuo aqui...

Todo mundo vai embora e eu continuo aqui, eu continuo aqui...

Eu continuo aqui...

Talvez quanto mais eu repetir isso...

Mais eu consigo me livrar disso...

Todo mundo vai embora...

E eu continuo transbordando reticências...


I'm so tired - The Beatles

fevereiro 16, 2010

"Desmorona o que outrora parecia segurança.
Mata os eternos, os pra sempres e o jamais.
É provação para o amor e para a tristeza.
Tudo cura, tudo extingue, tudo!"

Outro que não é meu... Achei por aí, jogado pelos cantos. Lindo, lindo.
enfim...

fevereiro 14, 2010

'ela falou: você tem medo/ai eu disse: quem tem medo é você' (8)

Para ouvir ao som de:

Por que quê a gente é assim? – Cazuza

Olho nos Olhos – Chico Buarque

Resposta ao Tempo – Nana Caymmi

Ainda é Cedo – Legião Urbana

ps: as músicas não precisam ser escutados, achei necessário pois as escutava enquanto escrevia, na ordem em que foram colocadas. Sei lá, as palavras iam saindo tal como as letras das músicas iam esgotando meus ouvidos...

Ficar ao lado dela era o mesmo que ficar ao lado do nada, do vazio. Ela nunca falava nada, estava sempre tão longe, como se não quisesse estar ali. Queria lhe falar tanto. De como me arrependo de tudo que passei, que passou, que passamos. Mas não consigo, mais uma vez me vejo preso num infinito de palavras dentro de mim mesmo. Como dizer para ela que não quis, que não queria machucá-la, que a amo tanto tanto dentro de mim, que me machucam esses espaços, esses silêncios, essas palavras quebradas? Tento dizer, mas seus olhos, tão bucólicos, me cortam antes mesmo que possa tentar persuadi-la de que errei, errou, erramos. Atemo-nos a tantos detalhes que no final sempre são ele que sobressaem mais do que todo o resto, certos ou errados. Me vejo revendo os detalhes dos acontecimentos, de tudo, de como fui, de como foi, de como fomos, contudo, de fato, inexplicavelmente confusões foram feitas em relação à palavras à sentimentos à desejos. Sobressai sozinho desse sentimento que sentimos por quase um ano e via em seus olhos o que nunca te quis fazer sentir.

- Eu não quero te machucar.

- Então não o faça.

Queria começar novamente. Mas é aí que erramos. Queremos tudo de novo e se não queremos, queremos vivê-los novamente para mudá-los. Nós erramos nas coisas mais banais... E são nelas que nos pegamos pensamos por horas-à-fio até acharmos uma ‘solução’, que por mais que possa mudar qualquer palavra já dita ou ações mal interpretadas, já é tarde. Não dá para mudar o que se foi feito, não dá para mudar o que se foi dito. É tão difícil, tão difícil esquecer o que aconteceu. Como somos rancorosos. E é isso que penso que ela pensa de mim. Suponho que ela guarda esse rancor que eu não queria gerar. Ela diz: não compreendo como chegamos a esse ponto. Era amor que sentíamos e agora nada mais é do que o vazio de um sentimento que foi embora, você me machucou tanto e eu só queria estar lá, eu só queria você. Não havia palavras para me defender, porque não discordava dela, mas nem ao menos concordava, não acreditava dentro de mim que as coisas que estava fazendo, que as coisas que estavam acontecendo haviam sido tão ruins assim, mas não me arrependi. Ela significava tanto para mim e agora eu não significava mais nada para ela. Os dias os meses os anos não voltam, os erros não voltam, nada volta. Estamos presos em nós mesmos, no tempo e espaço, em nossas cabeças. Estamos presos em nossos sentimentos nossas mágoas.

- Eu ainda te amo. Não pense o contrário. Mas quando penso em você, espaços brancos surgem em mim, eu não me sinto feliz. Entende que eu não consigo mais me imaginar ao seu lado. Eu não consigo mais nos ver como antes. Nada pode ser como antes, as coisas mudam, as situações mudam, os sentimentos mudam. Quando tem traição, me disseram que é porque damos espaço para que ela aconteça. Eu errei. Você errou. Nós erramos. Mas agora já foi e não volta mais. Eu só queria que você soubesse que não foi somente sua culpa, queria que você entendesse que eu estou tentando ser feliz novamente, com outra pessoa, e eu queria que você me deixasse ser feliz e não ficasse me arrastando com você para dentre desse buraco que está se enfiando.

Eu queria que ela fosse feliz. Mas eu queria que ela fosse feliz ao meu lado, não ao lado dele. Eu só queria ter àquele sentimento novamente para mim.

- Eu só quero que você seja feliz, acredite que não estou tentando e nem quero te trazer comigo para esse meu buraco, mas eu ainda te amo tanto que me machucam esses espaços, me machuca te ver falando que gosta dele quando sei que não gosta.

- É o que você quer, não o que é de verdade.

Era o que eu queria. Eu não queria que ela gostasse dele. Eu não queria que ela me esquecesse. Às vezes me pergunto se eu a amo ou se fico arrastando ela para perto de mim, pelo fato de que: eu adoro a conquista. A conquista é a melhor parte do jogo. É a melhor parte de tudo. É o que nos faz querer alguém tanto quanto querer a nós mesmos. Depois, isso tudo, vira somente nada. Tudo vira em nada, os sentimentos se desfazem, as palavras parecem sem sentido, os momentos parecem irreais, tais qual conto de fadas. Se for verdade que somos nossas ações, então é verdade que eu machuco, machuquei e provavelmente machucarei toda e qualquer possível relação que algum dia possa ter um começo inevitável. Talvez eu esteja fadado a viver em relações que não dão certo. Talvez esteja fadado a viver o conto de fadas do começo somente para chegar ao terrível fim. A verdade não é que eu os destrua, a verdade é que eles vão se desgastando ao longo do tempo, sem dar chance de virar algo poderia vir a ser. Quem sabe eu não dê chance a eles pelo simples fato de não suportar o ‘relacionamento’ com ninguém. Depois me pego pensando no ‘por quê?’ de as pessoas sempre irem embora, não importa como ou porque, mas elas, eventualmente, sempre desistem de mim. Quem sabe eu também esteja desistindo de mim. Quem sabe eu esteja desistindo de me salvar. Talvez eu devesse desistir de mim também...

- Eu tenho tanto medo de me entregar, e quando fiz isso com você me senti usada. Como todas as outras vezes que isso aconteceu. Quando consegui criar confiança, você me traiu. A verdade é que você tem medo.

- Você também tem medo.

- Não nego. Tenho medo e pela primeira vez não tive mais. Talvez tenha sido isso que tenha te estragado e feito ir à outra direção. A verdade é que nunca vamos saber. Não sei nem se quero saber. O que me dá um leve alívio é saber que finalmente acabou. A tortura desse último ano acabou. Nos acabamos. Eu estou esgotada. De tudo isso. Eu cansei. Esse é o fim.



“Quer ouvir música? meus dedos avançam até o rádio. Um gesto e três palavras para encher o silêncio. Que de tão repleto não cabe em si mesmo. Eu disse: a lua está tão bonita que dói por dentro. Ele não entendeu. É tudo tão bonito que me dói e me pesa. Fico pensando que nunca mais se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar para sempre. Não sei, não quero pensar. Neste espaço branco de madrugada e lua cheia, preciso falar, e mais do que falar, preciso dizer. Mas as palavras não dizem tudo, não dizem nada. O momento me esmaga por dentro. O espanto esbarra em paredes pedindo exteriorização (...). Por que feri? Por que feriu? Por que estamos dizendo coisas que não sentimos nem queremos?” Meio Silêncio – c.f.a.



ps²: não sei exatamente quando foi escrito, mas acabei de terminar. sem data específica...

janeiro 31, 2010

Confinei-te tantos segredos, contei-te tantas histórias e elas agora parecem não me pertencer mais. Minha vida inteira passou dos meus para os teus olhos e todas as minhas memórias, agora desgarradas de mim, são de tua responsabilidade. Parece fácil, sendo elas memórias já meio esquecidas, mas devo advertir-te dizendo: boa sorte em tentar domá-las dentro de tua cabeça, só eu sei como o avulso delas me bagunçava os pensamentos, as palavras, as ações... Só eu sei como elas me bagunçam. E agora que você não vai mais estar aqui peço, não, imploro que as leve para longe de mim. Nunca mais quero rever esse filme dentro da minha cabeça, nunca mais quero sentir a dor delas perfurando todos os meus órgãos implorando por exteriorização. Só quero não senti-las mais, não quero mais matar todas as partes de mim para sufocar essa dor... Só quero sorrir novamente.

Eu ando me machucando muito com esses pensamentos sobre o que foi e não será mais. Céus, sempre que penso em você brotam espaços em minha imaginação. Eu queria que tivesse dado certo, que nós estivéssemos juntos agora, mas... Fico pensando que não te confio mais e como ficar, gostar de alguém se confiança não existe? Não seria confiança o primeiro passo para o amor? Se é que amor exista...

janeiro 29, 2010

tá ridículo. mas... fazer o que. aconselho a não ler. :B



Enquanto ela falava sobre seus medos, sobre seus desejos, sobre tudo que passava por sua cabeça, só me restava escutar pacientemente. Adorava ouvi-la. De certo modo era reconfortante, mesmo com as histórias tristes, que me deixavam tão triste quanto poderia ver em seus olhos. Queria tomá-la em meus braços beijar sua cabeça e dizer como eu nunca iria machucá-la, nem nunca fazer mal a ela. Como depois desse abraço todas suas angústias sumiriam, como eu gostava tanto tanto dela. Mas as palavras não são tão fortes quanto às ações, as palavras não significam nada. Ela me deixava feliz. Eu gostava de estar ao lado dela. Me ocorreu, então, que ela confiava em mim. Por me contar tais coisas, que ela dizia nunca ter contado para ninguém. Que eu era especial. E aquilo me deixava tão feliz. Falava tudo isso para ela. Queria que ela se sentisse segura. Queria que ela soubesse tudo. Que pensava. Não me importava mais. Ela era diferente. E era isso que me dava o interesse em gostar dela. Perguntei aonde ela queria ir e ela disse: vou a qualquer lugar com você.

Minha boca abria e fechava soltando sons e palavras que antes só poderiam ser conhecidos por papel. Queria que ele soubesse de tudo, como nunca quis que outro alguém soubesse. Contei minhas histórias, meus medos, meus desejos. Eventualmente ele saberia tudo sobre mim. Eu tenho tanto medo. Mal ele sabe como tenho medo. Medo de me entregar, medo de ele me machucar. Apesar das diversas vezes que me disse que nunca iria. Eu queria acreditar, mas minha vida não passa de decepções, um mar de mentiras de sujeira, e ele sabia de tudo da decepção constante, seja comigo ou com os outros. Eu gostava dele. Mas nunca seria a primeira a falar. Eu queria ter certeza primeiro, de que se eu me jogasse do precipício ele estaria caindo ao meu lado, ah, gostar de alguém é sempre tão complicado. Mas, para ser sincera eu me sentia tão confortável com ele... Eu queria que ele soubesse de tudo eu queria saber tudo. Mas acho que ele tem medo. Medo de eu mudar para outra. O que é compreensível. Eu fiquei feliz de ver que ele se interessava. Eu gostava dele. Eu realmente gostava. Mas eu não queria que esse sentimento passasse, nem por um segundo. Como não gostar do que via? Eu me encantava. Ele me perguntou aonde queria ir e eu disse que a qualquer lugar que ele fosse. Não sei por que disse isso. Mas eu sentia isso. Mas queria que ele soubesse. Eu queria que ele soubesse...

janeiro 06, 2010

E então eu vejo, revejo memórias passando pela minha cabeça como se fossem novas. E então todos aqueles sentimentos já esquecidos, já enterrados voltam para me assombrar de uma jeito quase que impossível. O quase amor, a ferida ainda aberta, tudo me machucava tanto por dentro. Por que tive que começar a me derreter novamente? Por que tive que gostar, tive que apreciar o que meus olhos projetavam como imagens? Por que tive... que me entregar? O que isso trás de bom? Tudo dói e eu já nem sei mais para onde ir. Eu só queria que não tivesse acontecido, as palavras trocadas, os olhares correspondidos, o gostar do outro. Tudo isso ardia, ardia à ferida que fora deixada aberta há pouco tempo. E a notícia que viria despedaçar mais ainda os pedaços recém colados, a notícia que faria todo o conto de mágica virar em poeira antes mesmo de ter começado. Não posso fazer nada, não posso te pedir para não ir, não se pode aprisionar o que não quer mais ficar, não se pode aprisionar algo que precisa ser livre. Foi o que me fez te querer tanto, a sua necessidade de querer ser livre, de querer ir embora, e são esses pedaços que gostava tanto que me machucam agora. Só queria que não tivesse acontecido. Queria não ter te gostado tanto. Queria não ter vivido esses momentos, que agora me cortam em pedaços. Por que tive que amar o que vi? Cada vez eu percebo que o gostar do outro realmente é falta de QI.

"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém." c.f.a.

Nada vive no lugar que realmente deve viver. Nada corre como deveria correr... Nem o tempo. Os ponteiros se movem como se houvesse uma ciência nada exata que confunde, que atrapalha, que impede. Os dedos são rápidos, mais do que deveriam. Mas são rápidos sem saber, sem perceber. Eles apenas tocam letras, tocam pessoas, tocam coisas e deixam marcas. Simples dedos deixam marcas, simples sorrisos deixam marcas, simples fios de cabelos perdidos deixam marcas. As palavras... Palavras são as piores marcas que podemos carregar. Elas ardem, elas queimam, fervem... Até o ponto crítico de nos acostumarmos! O costume com feridas é o que mais mancha a pele. A pele interna. O que nós somos. Viramos algo sem sentido e sem razão, que vive por viver! Que tem vontade - mas não coragem - de morrer. Tudo dói, tudo fere, tudo machuca... Tudo faz com que as marcas piorem cada dia mais. Tudo faz com que os sonhos sumam, com que os olhos embacem e com que as olheiras fiquem em um tom de roxo que já não se define se é maquiagem borrada ou algo natural. Então você se pergunta onde anda sua alma e em que esquina ficaram seus sorrisos. Em que posto foram vendidos seus pensamentos, em que água se afogou seu eu. Em que inferno queimaram suas palavras, em que vida ficou a sua...




'said if you won't save, please don't waste my time' (8)

janeiro 02, 2010

vamos dizer assim: que é um mistério. e por assim fiquemos talvez com uma sincera e não covarde tentativa de simplificar. embora, haverá aquelas noites que não nos contentaremos com o fato de não entender metade disso, e então, volveremos a esse auto-interrogatório por horas, incessantemente, depois de passar por todas as hipoteses, até aceitar mais uma e pela última vez, que não entendemos nada disso e tentar entender é bobagem. pois então simplifiquemos, deixando ser. e caso isso não tenha sido esclarecido e bem de longe algo semelhante com aclarar, não te acanhe, provável que tua vez não chegou, ou talvez nem de perto haja uma. de qualquer forma, sozinho não tem como deixar ser.


não é meu, não sei de quem é, mas achei interessantíssimo.

Eu quero me separar dele. Eu honestamente não entendia o ‘por quê’ de ela me contar essas coisas. Queria ela me dilacerar em mil pedaços? Como me deixava triste ver que tudo que eu acreditava de dois anos para cá veio despencando de minhas certezas e virando pequenos pedaços desfeitos no chão. Eu não sei quanto tempo mais eu a agüento. Acho que era uma disputa. Algo meio juvenil. Eles estavam tão dentro de si mesmos que não ligavam mais para os danos que colocavam dentro de mim. Eu via esse relacionamento deles e imaginava todos os meus chegando a esse fim. Era de fato triste. Antes eu me importava mais. Me sentia na obrigação de me importar ou de, ao menos, tentar resolver. Mas não conseguia achar nenhuma solução. Chorei por dias. Ninguém entendia por que. Nem eu sabia se compreendia. Era como se tudo isso me deixasse sem chão, não sabia para onde correr. Toda a minha vida foi feita a base de ilusões de que relacionamentos na verdade dão certo, quando ‘felizes para sempre’ deixava de ser uma realidade. Não era perceptível. Eu me sentia desamparada. Eu não entendo. Vulnerável. Eu queria ser mais forte, queria poder não me dilacerar antes. Exausta. Estou exausta de me sentir despedaçada com esses pequenos pedaços que não machucam os outros, ou machucam, mas que não se deixam transparecer. Talvez seja fraqueza, mas que seja então. As brigas, os detalhes, as palavras ditas os feitos, todos contam no final sempre do lado negativo. Eles não se importam e eu não deveria também. Deveria? Para que me machucar se logo depois as coisas sempre se acertam? Para que sofrer antecipadamente sem saber o final? Por quê?



dream on - aerosmith


ps: não ando escrevendo bem, pois como disse uma escritora na qual gosto muito ' quando começamos a gostar de alguém, é notável pelo modo como a escrita muda. você percebe que quando não se gosta de alguém, expressar sentimentos não existentes é muito mais fácil. quando se gosta fica difícil escrever coisas que pareçam, de fato, reais.'

É cruel lembrar que um dia eu já tive algo cheio. É cruel parar, pensar, tentar sentir algo e só sentir o vácuo batendo entre as paredes frias e impenetráveis de um peito... Vazio. O vazio não é algo controlável. Ele começa a entrar na sua vida e então, quando vês, já és o completo vazio. Já tens a alma fria, fechada... e vazia. Tens os pensamentos em plena ordem de loucura. Ah, a loucura... seria eu louca o suficiente para afirmar com tanta convicção que é a loucura que me invade? Ou sou apenas uma escritora perdida e sem ninguém que decide tirar suas noites chuvosas e escuras para escrever sobre algo que não é? Talvez eu pense em ser ou talvez já o seja de tanto falar sobre. Talvez eu pegue as fotos com algumas pessoas do passado e fique imaginando com quem estão agora e o que estão fazendo. Abusando de uma completa sanidade e diversão, enquanto eu estou aqui, num bloco de notas de um blog mofado, escrevendo sobre o que eu acho ser... ou me transformei em outra pessoa quando digitei a primeira letra e escrevo sobre esta pessoa. Cujas características físicas são as mesmas... as duas pessoas, eu e ela. Somos iguais fisicamente. Mas psiquicamente somos tão diferentes... e ao mesmo tempo tão iguais por sermos duas em uma pessoa só. Loucura... que há de ser de nós, constante loucura, quando nos descobrirem?


"Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável". c.f.a.