para ler ao som de : time – pink floyd (se quiser cortar, a música mesmo começa depois de 2m e 30s. mas seria melhor pegar desde o começo. acredito. e aliás, escolhi essa música pois a escutava enquanto escrevia. só ela.)
E se ultimamente tivesse perdido o chão? Sabe? Como se flutuasse no céu em busca de nuvens para descansar. Mas não achava, não havia nenhuma nuvem. O céu estava limpo e eu continuava sem chão. E os dias, os meses, os anos passavam e eu não conseguia pará-los, não conseguia controlá-los, como um filme ruim rodando e rodando e rodando várias vezes em minha cabeça, sem conseguir tirá-lo. Sem nem ao menos conseguir verbalizar esse filme para ninguém, como se eu tivesse desaprendido a linguagem dos outros, como se eu tivesse desaprendido tudo. E não entendia o “por que?” não conseguir tirar tudo aquilo dos sonhos e pensamentos. Atormentando cada vez mais e mais. Sugando todas as energias do corpo, tudo que eu tinha e não tinha, tudo de interno e externo. Esse atormento vinha sugando toda a minha vida, vinha sugando minha energia e sugando meus pensamentos. Vinha me sugando. E esse vazio desesperador que ficava moendo e roendo minhas estranhas, esperando para serem jogadas para fora para enfim alimentar os outros para alimentar o que eles não tinham, dando para eles o meu interior sem pedir nada, sem receber nada de volta, como se depois de tanto usadas elas se tornassem desnecessárias, como se não valessem mais nada. A falta de ar, como se já estivesse fazendo efeito o desfeito das estranhas. A falta de sono a falta de fome a falta da falta. E vai surgindo e surgindo e surgindo e surgindo e surgdinso e sugirnso e sugnindo e sunfgodo e surginfo e surgindo e surgindo e não para e não para e não para e naão poara e não spaopa e não para. E nunca para. E nunca vai parar. A angústia, o medo. O medo. Não queria ter medo. Não queria mais ter angústia. Só queria ser feliz, só queria ser. Só queria mudar tudo e parar tudo e virar outra coisa, qualquer coisa que fosse, menos isso que sou agora. Mas não consigo, não consigo me mudar. Mas não para de surgir e surgir e sguir e sguirgi e surgir e sugir surgsir sye sugrir e surgir e não para e nunca vai parar. E vai me corroendo e mordendo e comendo por dentro, como um cachorro quando come um osso e vai me sugando como se fosse um vampiro procurando por sangue e nunca acha e nunca consegue e continua. O desespero. O medo. A agonia. Por que eu sinto como se tudo estivesse desmoronando? E fumo e bebo e penso e repenso em tudo, no que deu errado, por que deu errado? Não deveria ter dado errado, não era assim que era para ter acontecido. Mas na verdade, não importa nada disso. São tudo banalidades. Talvez eu não esteja mais em mim, não sei nem ao menos se algum dia estive. E se estive penso se conseguirei voltar ao que era antes. Mas o antes... O antes não passa de memórias e nós nunca podemos voltar. Desaprendi a me ver como antes e só tenho o agora. Eu não tenho mais nada. Só esse agora que desgosto. O agora que me mata e me suga e me atormenta. O agora do nada... O agora não me basta mais. E não sei o que me basta, não sei aonde procurar ou ao menos pelo que procurar. Eu não sei de mais nada. Eu só estou acabada.
"Alguma coisa explodiu. Partida em cacos. A partir de então, tudo ficou mais complicado. E mais real." c.f.a.
ps: definitivamente não é o meu melhor. mas sentia que estava na hora de publicar algo. acabei de fazer essa porcaria, então... bem. é isso.
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