março 05, 2010

para ler ao som de : time – pink floyd (se quiser cortar, a música mesmo começa depois de 2m e 30s. mas seria melhor pegar desde o começo. acredito. e aliás, escolhi essa música pois a escutava enquanto escrevia. só ela.)

E se ultimamente tivesse perdido o chão? Sabe? Como se flutuasse no céu em busca de nuvens para descansar. Mas não achava, não havia nenhuma nuvem. O céu estava limpo e eu continuava sem chão. E os dias, os meses, os anos passavam e eu não conseguia pará-los, não conseguia controlá-los, como um filme ruim rodando e rodando e rodando várias vezes em minha cabeça, sem conseguir tirá-lo. Sem nem ao menos conseguir verbalizar esse filme para ninguém, como se eu tivesse desaprendido a linguagem dos outros, como se eu tivesse desaprendido tudo. E não entendia o “por que?” não conseguir tirar tudo aquilo dos sonhos e pensamentos. Atormentando cada vez mais e mais. Sugando todas as energias do corpo, tudo que eu tinha e não tinha, tudo de interno e externo. Esse atormento vinha sugando toda a minha vida, vinha sugando minha energia e sugando meus pensamentos. Vinha me sugando. E esse vazio desesperador que ficava moendo e roendo minhas estranhas, esperando para serem jogadas para fora para enfim alimentar os outros para alimentar o que eles não tinham, dando para eles o meu interior sem pedir nada, sem receber nada de volta, como se depois de tanto usadas elas se tornassem desnecessárias, como se não valessem mais nada. A falta de ar, como se já estivesse fazendo efeito o desfeito das estranhas. A falta de sono a falta de fome a falta da falta. E vai surgindo e surgindo e surgindo e surgindo e surgdinso e sugirnso e sugnindo e sunfgodo e surginfo e surgindo e surgindo e não para e não para e não para e naão poara e não spaopa e não para. E nunca para. E nunca vai parar. A angústia, o medo. O medo. Não queria ter medo. Não queria mais ter angústia. Só queria ser feliz, só queria ser. Só queria mudar tudo e parar tudo e virar outra coisa, qualquer coisa que fosse, menos isso que sou agora. Mas não consigo, não consigo me mudar. Mas não para de surgir e surgir e sguir e sguirgi e surgir e sugir surgsir sye sugrir e surgir e não para e nunca vai parar. E vai me corroendo e mordendo e comendo por dentro, como um cachorro quando come um osso e vai me sugando como se fosse um vampiro procurando por sangue e nunca acha e nunca consegue e continua. O desespero. O medo. A agonia. Por que eu sinto como se tudo estivesse desmoronando? E fumo e bebo e penso e repenso em tudo, no que deu errado, por que deu errado? Não deveria ter dado errado, não era assim que era para ter acontecido. Mas na verdade, não importa nada disso. São tudo banalidades. Talvez eu não esteja mais em mim, não sei nem ao menos se algum dia estive. E se estive penso se conseguirei voltar ao que era antes. Mas o antes... O antes não passa de memórias e nós nunca podemos voltar. Desaprendi a me ver como antes e só tenho o agora. Eu não tenho mais nada. Só esse agora que desgosto. O agora que me mata e me suga e me atormenta. O agora do nada... O agora não me basta mais. E não sei o que me basta, não sei aonde procurar ou ao menos pelo que procurar. Eu não sei de mais nada. Eu só estou acabada.


"Alguma coisa explodiu. Partida em cacos. A partir de então, tudo ficou mais complicado. E mais real." c.f.a.

ps: definitivamente não é o meu melhor. mas sentia que estava na hora de publicar algo. acabei de fazer essa porcaria, então... bem. é isso.

fevereiro 24, 2010

Them Crooked Vultures - New Fang

“Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina (...). Restava acender outro cigarro, e foi o que fez. No momento de dar a primeira tragada, apoiou a face nas mãos e sem querer, esticou a pele do olho direito. Melhor assim, muito melhor. Sem aquele ar desabado de cansaço indisfarçável de mulher sozinha (...)" Os Sapatinhos Vermelhos - C.F.A.


E ficava horas-à-fio parada em frente ao espelho tentando entender o próprio envelhecimento prematuro. Tudo jogado para fora, como se fosse mera ilusão do tempo. Mera insegurança da vida que destrói por dentro, sem deixar rastros vestígios pistas, fazendo de si, de nós todos marionetes. Do tempo, do espaço, do mundo. Todos perdidos no mundo sem saber para onde ir. E ia acumulando, toda aquela merda, toda aquela merda boiando ao nosso lado, ia acumulando. E bem como tudo isso que estava acontecendo tudo isso que se estava sentindo e ia se misturando com o gosto do álcool cigarro e ia dando uma náusea. Uma vontade de vomitar tudo para fora só para depois sentir o alívio. A bebida, o cheiro, o gosto. O gosto do cigarro, o cheiro. Tudo vem tudo aparece. E eu fico aqui, eu fico olhando as pessoas, estudando seus rumos, as palavras, os atos, tentando entender tudo. Mas tudo machuca. Tudo isso cara. Tudo isso machuca fundo fundo e já não se cura mais. Fica aqui a ferida aberta esperando para a próxima, a próxima vez que fará tudo desandar de vez. Que fará o rumo cada vez mais nublado, cada vez mais difícil de andar, difícil de suportar. Só queria esquecer tudo, só queria fechar a ferida, mas não vou, nunca vai acontecer, nunca vou esquecer. E tudo fica voltando, a ânsia o vômito para logo depois o alívio. Mas não passa. Essa vontade. Essa vontade de querer alguém, alguém que cuide que se importe. Mas era o querer de outro que incomodava por dentro. E não queria, não queria precisar de ninguém, não queria querer ninguém. Parecia inevitável o desejo do outro. Ia subindo junto com a náusea, junto com o vomito. Ia explorando todas as cavidades do corpo, os orifícios, os órgãos, os sentidos. Ia inundando tudo com a sujeira, com o nojo, com o vômito. Implorando por exteriorização. Mas não saía. Continuava tudo aqui dentro, perturbando, amassando, machucando, ferindo tudo. Tudo ia machucando e eu já nem sabia mais para onde ir, eu já nem sabia mais o que fazer. Toda aquela raiva, todo aquele ódio subindo com a ânsia, com o vômito, com o nojo. Tudo aquilo. Tudo aquilo. E nada.

Tenho os all stars pretos nos pés; sujos, rotos, mas tão meus que em tantas caminhadas da vida me acompanharam; e corro sem correr, mais alta que o chão, de braços esticados em direção à lua que do seu quarto minguante me sorri timidamente, e me espera, para danças de embalar e gargalhadas de peças de teatro dos Clássicos.

tempo mágico, este, em que as minhas asas de todas as flores - e as papoulas!, São tão as mais bonitas - ganham brilho e se soltam, e eu me perco por entre espelhos de mil cores diferentes que me refletem o que não sou e o que não tenho.

estilhaço o vidro com a pedra do meu coração. É que ele devolve-me a tua imagem que de tão presente em mim me parece tão distante, e eu não te quero ver mais. Quero apenas sentir teu sorriso, ser teus cabelos, amar a boca tua. Tudo de olhos fechados, porque tenho uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, e as horas estão a esgotar-se voam tal como eu, que vôo sem voar, sem destino de partida e sem porto de chegada.

amanhã vai tudo voltar ao normal. Eu volto a ser triste de cabelos de chocolate e bandeletes, tu voltas a ser feliz de rosto altivo e limão. Por isso, só por hoje, sonho, e danço, e rio, ao som das tuas palavras, aquelas palavras, palavras de arco-íris infinito, e sinto, apenas sentindo, que amar-te é sofrer; mas que amar-te é um vir a viver.

(triste ilusão a minha, que amanhã as nuvens dos teus olhos voltam a brincar comigo. vai ser sempre assim, não vai?)



ps: texto muito antigo... de 2008 ou de 2007...

fevereiro 18, 2010

Todo mundo vai embora...

Todo mundo vai embora e eu continuo aqui...

Todo mundo vai embora e eu continuo aqui, eu continuo aqui...

Eu continuo aqui...

Talvez quanto mais eu repetir isso...

Mais eu consigo me livrar disso...

Todo mundo vai embora...

E eu continuo transbordando reticências...


I'm so tired - The Beatles

fevereiro 16, 2010

"Desmorona o que outrora parecia segurança.
Mata os eternos, os pra sempres e o jamais.
É provação para o amor e para a tristeza.
Tudo cura, tudo extingue, tudo!"

Outro que não é meu... Achei por aí, jogado pelos cantos. Lindo, lindo.
enfim...

fevereiro 14, 2010

'ela falou: você tem medo/ai eu disse: quem tem medo é você' (8)

Para ouvir ao som de:

Por que quê a gente é assim? – Cazuza

Olho nos Olhos – Chico Buarque

Resposta ao Tempo – Nana Caymmi

Ainda é Cedo – Legião Urbana

ps: as músicas não precisam ser escutados, achei necessário pois as escutava enquanto escrevia, na ordem em que foram colocadas. Sei lá, as palavras iam saindo tal como as letras das músicas iam esgotando meus ouvidos...

Ficar ao lado dela era o mesmo que ficar ao lado do nada, do vazio. Ela nunca falava nada, estava sempre tão longe, como se não quisesse estar ali. Queria lhe falar tanto. De como me arrependo de tudo que passei, que passou, que passamos. Mas não consigo, mais uma vez me vejo preso num infinito de palavras dentro de mim mesmo. Como dizer para ela que não quis, que não queria machucá-la, que a amo tanto tanto dentro de mim, que me machucam esses espaços, esses silêncios, essas palavras quebradas? Tento dizer, mas seus olhos, tão bucólicos, me cortam antes mesmo que possa tentar persuadi-la de que errei, errou, erramos. Atemo-nos a tantos detalhes que no final sempre são ele que sobressaem mais do que todo o resto, certos ou errados. Me vejo revendo os detalhes dos acontecimentos, de tudo, de como fui, de como foi, de como fomos, contudo, de fato, inexplicavelmente confusões foram feitas em relação à palavras à sentimentos à desejos. Sobressai sozinho desse sentimento que sentimos por quase um ano e via em seus olhos o que nunca te quis fazer sentir.

- Eu não quero te machucar.

- Então não o faça.

Queria começar novamente. Mas é aí que erramos. Queremos tudo de novo e se não queremos, queremos vivê-los novamente para mudá-los. Nós erramos nas coisas mais banais... E são nelas que nos pegamos pensamos por horas-à-fio até acharmos uma ‘solução’, que por mais que possa mudar qualquer palavra já dita ou ações mal interpretadas, já é tarde. Não dá para mudar o que se foi feito, não dá para mudar o que se foi dito. É tão difícil, tão difícil esquecer o que aconteceu. Como somos rancorosos. E é isso que penso que ela pensa de mim. Suponho que ela guarda esse rancor que eu não queria gerar. Ela diz: não compreendo como chegamos a esse ponto. Era amor que sentíamos e agora nada mais é do que o vazio de um sentimento que foi embora, você me machucou tanto e eu só queria estar lá, eu só queria você. Não havia palavras para me defender, porque não discordava dela, mas nem ao menos concordava, não acreditava dentro de mim que as coisas que estava fazendo, que as coisas que estavam acontecendo haviam sido tão ruins assim, mas não me arrependi. Ela significava tanto para mim e agora eu não significava mais nada para ela. Os dias os meses os anos não voltam, os erros não voltam, nada volta. Estamos presos em nós mesmos, no tempo e espaço, em nossas cabeças. Estamos presos em nossos sentimentos nossas mágoas.

- Eu ainda te amo. Não pense o contrário. Mas quando penso em você, espaços brancos surgem em mim, eu não me sinto feliz. Entende que eu não consigo mais me imaginar ao seu lado. Eu não consigo mais nos ver como antes. Nada pode ser como antes, as coisas mudam, as situações mudam, os sentimentos mudam. Quando tem traição, me disseram que é porque damos espaço para que ela aconteça. Eu errei. Você errou. Nós erramos. Mas agora já foi e não volta mais. Eu só queria que você soubesse que não foi somente sua culpa, queria que você entendesse que eu estou tentando ser feliz novamente, com outra pessoa, e eu queria que você me deixasse ser feliz e não ficasse me arrastando com você para dentre desse buraco que está se enfiando.

Eu queria que ela fosse feliz. Mas eu queria que ela fosse feliz ao meu lado, não ao lado dele. Eu só queria ter àquele sentimento novamente para mim.

- Eu só quero que você seja feliz, acredite que não estou tentando e nem quero te trazer comigo para esse meu buraco, mas eu ainda te amo tanto que me machucam esses espaços, me machuca te ver falando que gosta dele quando sei que não gosta.

- É o que você quer, não o que é de verdade.

Era o que eu queria. Eu não queria que ela gostasse dele. Eu não queria que ela me esquecesse. Às vezes me pergunto se eu a amo ou se fico arrastando ela para perto de mim, pelo fato de que: eu adoro a conquista. A conquista é a melhor parte do jogo. É a melhor parte de tudo. É o que nos faz querer alguém tanto quanto querer a nós mesmos. Depois, isso tudo, vira somente nada. Tudo vira em nada, os sentimentos se desfazem, as palavras parecem sem sentido, os momentos parecem irreais, tais qual conto de fadas. Se for verdade que somos nossas ações, então é verdade que eu machuco, machuquei e provavelmente machucarei toda e qualquer possível relação que algum dia possa ter um começo inevitável. Talvez eu esteja fadado a viver em relações que não dão certo. Talvez esteja fadado a viver o conto de fadas do começo somente para chegar ao terrível fim. A verdade não é que eu os destrua, a verdade é que eles vão se desgastando ao longo do tempo, sem dar chance de virar algo poderia vir a ser. Quem sabe eu não dê chance a eles pelo simples fato de não suportar o ‘relacionamento’ com ninguém. Depois me pego pensando no ‘por quê?’ de as pessoas sempre irem embora, não importa como ou porque, mas elas, eventualmente, sempre desistem de mim. Quem sabe eu também esteja desistindo de mim. Quem sabe eu esteja desistindo de me salvar. Talvez eu devesse desistir de mim também...

- Eu tenho tanto medo de me entregar, e quando fiz isso com você me senti usada. Como todas as outras vezes que isso aconteceu. Quando consegui criar confiança, você me traiu. A verdade é que você tem medo.

- Você também tem medo.

- Não nego. Tenho medo e pela primeira vez não tive mais. Talvez tenha sido isso que tenha te estragado e feito ir à outra direção. A verdade é que nunca vamos saber. Não sei nem se quero saber. O que me dá um leve alívio é saber que finalmente acabou. A tortura desse último ano acabou. Nos acabamos. Eu estou esgotada. De tudo isso. Eu cansei. Esse é o fim.



“Quer ouvir música? meus dedos avançam até o rádio. Um gesto e três palavras para encher o silêncio. Que de tão repleto não cabe em si mesmo. Eu disse: a lua está tão bonita que dói por dentro. Ele não entendeu. É tudo tão bonito que me dói e me pesa. Fico pensando que nunca mais se repetir, é só uma vez, a única, e vai me magoar para sempre. Não sei, não quero pensar. Neste espaço branco de madrugada e lua cheia, preciso falar, e mais do que falar, preciso dizer. Mas as palavras não dizem tudo, não dizem nada. O momento me esmaga por dentro. O espanto esbarra em paredes pedindo exteriorização (...). Por que feri? Por que feriu? Por que estamos dizendo coisas que não sentimos nem queremos?” Meio Silêncio – c.f.a.



ps²: não sei exatamente quando foi escrito, mas acabei de terminar. sem data específica...

janeiro 31, 2010

Confinei-te tantos segredos, contei-te tantas histórias e elas agora parecem não me pertencer mais. Minha vida inteira passou dos meus para os teus olhos e todas as minhas memórias, agora desgarradas de mim, são de tua responsabilidade. Parece fácil, sendo elas memórias já meio esquecidas, mas devo advertir-te dizendo: boa sorte em tentar domá-las dentro de tua cabeça, só eu sei como o avulso delas me bagunçava os pensamentos, as palavras, as ações... Só eu sei como elas me bagunçam. E agora que você não vai mais estar aqui peço, não, imploro que as leve para longe de mim. Nunca mais quero rever esse filme dentro da minha cabeça, nunca mais quero sentir a dor delas perfurando todos os meus órgãos implorando por exteriorização. Só quero não senti-las mais, não quero mais matar todas as partes de mim para sufocar essa dor... Só quero sorrir novamente.