Eu ando me machucando muito com esses pensamentos sobre o que foi e não será mais. Céus, sempre que penso em você brotam espaços em minha imaginação. Eu queria que tivesse dado certo, que nós estivéssemos juntos agora, mas... Fico pensando que não te confio mais e como ficar, gostar de alguém se confiança não existe? Não seria confiança o primeiro passo para o amor? Se é que amor exista...
"É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro LONGE de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma forte fonte de mal-entendido." Antoine de Saint-Exupéry
janeiro 31, 2010
janeiro 29, 2010
Enquanto ela falava sobre seus medos, sobre seus desejos, sobre tudo que passava por sua cabeça, só me restava escutar pacientemente. Adorava ouvi-la. De certo modo era reconfortante, mesmo com as histórias tristes, que me deixavam tão triste quanto poderia ver em seus olhos. Queria tomá-la em meus braços beijar sua cabeça e dizer como eu nunca iria machucá-la, nem nunca fazer mal a ela. Como depois desse abraço todas suas angústias sumiriam, como eu gostava tanto tanto dela. Mas as palavras não são tão fortes quanto às ações, as palavras não significam nada. Ela me deixava feliz. Eu gostava de estar ao lado dela. Me ocorreu, então, que ela confiava em mim. Por me contar tais coisas, que ela dizia nunca ter contado para ninguém. Que eu era especial. E aquilo me deixava tão feliz. Falava tudo isso para ela. Queria que ela se sentisse segura. Queria que ela soubesse tudo. Que pensava. Não me importava mais. Ela era diferente. E era isso que me dava o interesse em gostar dela. Perguntei aonde ela queria ir e ela disse: vou a qualquer lugar com você.
janeiro 06, 2010
E então eu vejo, revejo memórias passando pela minha cabeça como se fossem novas. E então todos aqueles sentimentos já esquecidos, já enterrados voltam para me assombrar de uma jeito quase que impossível. O quase amor, a ferida ainda aberta, tudo me machucava tanto por dentro. Por que tive que começar a me derreter novamente? Por que tive que gostar, tive que apreciar o que meus olhos projetavam como imagens? Por que tive... que me entregar? O que isso trás de bom? Tudo dói e eu já nem sei mais para onde ir. Eu só queria que não tivesse acontecido, as palavras trocadas, os olhares correspondidos, o gostar do outro. Tudo isso ardia, ardia à ferida que fora deixada aberta há pouco tempo. E a notícia que viria despedaçar mais ainda os pedaços recém colados, a notícia que faria todo o conto de mágica virar em poeira antes mesmo de ter começado. Não posso fazer nada, não posso te pedir para não ir, não se pode aprisionar o que não quer mais ficar, não se pode aprisionar algo que precisa ser livre. Foi o que me fez te querer tanto, a sua necessidade de querer ser livre, de querer ir embora, e são esses pedaços que gostava tanto que me machucam agora. Só queria que não tivesse acontecido. Queria não ter te gostado tanto. Queria não ter vivido esses momentos, que agora me cortam em pedaços. Por que tive que amar o que vi? Cada vez eu percebo que o gostar do outro realmente é falta de QI.
"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém." c.f.a.
Nada vive no lugar que realmente deve viver. Nada corre como deveria correr... Nem o tempo. Os ponteiros se movem como se houvesse uma ciência nada exata que confunde, que atrapalha, que impede. Os dedos são rápidos, mais do que deveriam. Mas são rápidos sem saber, sem perceber. Eles apenas tocam letras, tocam pessoas, tocam coisas e deixam marcas. Simples dedos deixam marcas, simples sorrisos deixam marcas, simples fios de cabelos perdidos deixam marcas. As palavras... Palavras são as piores marcas que podemos carregar. Elas ardem, elas queimam, fervem... Até o ponto crítico de nos acostumarmos! O costume com feridas é o que mais mancha a pele. A pele interna. O que nós somos. Viramos algo sem sentido e sem razão, que vive por viver! Que tem vontade - mas não coragem - de morrer. Tudo dói, tudo fere, tudo machuca... Tudo faz com que as marcas piorem cada dia mais. Tudo faz com que os sonhos sumam, com que os olhos embacem e com que as olheiras fiquem em um tom de roxo que já não se define se é maquiagem borrada ou algo natural. Então você se pergunta onde anda sua alma e em que esquina ficaram seus sorrisos. Em que posto foram vendidos seus pensamentos, em que água se afogou seu eu. Em que inferno queimaram suas palavras, em que vida ficou a sua...
'said if you won't save, please don't waste my time' (8)
janeiro 02, 2010
não é meu, não sei de quem é, mas achei interessantíssimo.
Eu quero me separar dele. Eu honestamente não entendia o ‘por quê’ de ela me contar essas coisas. Queria ela me dilacerar em mil pedaços? Como me deixava triste ver que tudo que eu acreditava de dois anos para cá veio despencando de minhas certezas e virando pequenos pedaços desfeitos no chão. Eu não sei quanto tempo mais eu a agüento. Acho que era uma disputa. Algo meio juvenil. Eles estavam tão dentro de si mesmos que não ligavam mais para os danos que colocavam dentro de mim. Eu via esse relacionamento deles e imaginava todos os meus chegando a esse fim. Era de fato triste. Antes eu me importava mais. Me sentia na obrigação de me importar ou de, ao menos, tentar resolver. Mas não conseguia achar nenhuma solução. Chorei por dias. Ninguém entendia por que. Nem eu sabia se compreendia. Era como se tudo isso me deixasse sem chão, não sabia para onde correr. Toda a minha vida foi feita a base de ilusões de que relacionamentos na verdade dão certo, quando ‘felizes para sempre’ deixava de ser uma realidade. Não era perceptível. Eu me sentia desamparada. Eu não entendo. Vulnerável. Eu queria ser mais forte, queria poder não me dilacerar antes. Exausta. Estou exausta de me sentir despedaçada com esses pequenos pedaços que não machucam os outros, ou machucam, mas que não se deixam transparecer. Talvez seja fraqueza, mas que seja então. As brigas, os detalhes, as palavras ditas os feitos, todos contam no final sempre do lado negativo. Eles não se importam e eu não deveria também. Deveria? Para que me machucar se logo depois as coisas sempre se acertam? Para que sofrer antecipadamente sem saber o final? Por quê?
dream on - aerosmith
ps: não ando escrevendo bem, pois como disse uma escritora na qual gosto muito ' quando começamos a gostar de alguém, é notável pelo modo como a escrita muda. você percebe que quando não se gosta de alguém, expressar sentimentos não existentes é muito mais fácil. quando se gosta fica difícil escrever coisas que pareçam, de fato, reais.'
"Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável". c.f.a.